terça-feira, 18 de abril de 2017

Um ano e meio depois daquela mudança

Prestando bastante atenção, percebi que já vai fazer um ano e meio que estou em Santa Maria da Vitória. E não, não venha me dizer que passou rápido. Passou tudo no tempo certo.
Há dois anos, quando eu soube do concurso na Ufob, meus olhos brilharam com a vaga para Teorias da Comunicação, mas eu não me animava de morar tão longe do litoral onde enterraram o meu umbigo, onde ainda estão meus familiares mais amados. Eu já estava morando no sudoeste baiano e administrar essa distância já me pesava um tanto. Além do mais, eu estava adaptada em Vitória da Conquista: tinha meu grupo de amigos, tinha companheiros religiosos com quem gostava de trabalhar nas ruas, trabalhava em uma equipe bastante unida na Uesb, estudava e tinha meus pares com quem discutir, frequentava muito o aeroporto e curtia participar de cursos, festivais e seminários fora da cidade, era figurinha certa nos eventos do teatro Carlos Jeohvah. Imagina se naquele momento em que eu tinha criado coragem de pagar por um super agasalho eu iria me mudar para o semiárido? Não... Não iria.
Algumas semana depois, como boa geminiana, titubeei. Era uma vaga para professor efetivo e eu era só uma substituta na Uesb. Era uma cidade nova, em uma região exuberante, e eu adoro desbravar o desconhecido. Era só um concurso, ainda não era uma mudança de fato. Com muito sofrimento, fiz a inscrição no apagar das luzes, com muitas limitações de internet e dificuldades para scanear todos os documentos. Só não desisti porque uma amiga me disse que tudo que é importante vem com dificuldades. Mais umas semanas e a Ufob publicou a lista de inscrições homologadas. Havia uma concorrência sobre-humana para esse tipo de concurso, mas eu experimentei um sentimento completamente atípico: gana! Vontade de passar! Sentimento de capacidade de ocupar aquela vaga.
Aproveitando o período de greve, estudei como se não houvesse amanhã. Comi os livros com farinha, como se diz lá na minha terra. Senti cada bloco de dez minutos passarem como se fosse uma hora de trabalho intenso. E deu certo! Passei em primeiro lugar!
Cheguei a Santa Maria da Vitória no começo de dezembro. Botei a bagunça no caminhão e parti para um ciclo novo da vida.
Em Samavi, fiz mais três mudanças em um ano. Viajei pelo menos uma vez por mês ao longo do ano. Gastei quase todos os feriados queimando pestanas com a tese e consegui terminar o doutorado dentro do meu prazo. O trabalho na Ufob me promoveu profundamente. Encontrei nos estudantes amizades sinceras e espaço para tocar projetos bacanas. Estou mais segura, mais empreendedora, mais humilde, mais mochileira.
Os amigos de outrora já me percebem como uma pessoa muito diferente daquela Aline de um ano e meio atrás

Um comentário:

  1. Ai gente, que linda, e que lindo o que escreveu, deu até uns brilhinhos nos meus olhos.rs

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